Horário de fechamento × voto
Teste da hipótese de que o horário de fechamento da seção está associado a um desempenho distinto do candidato no 2º turno
(por exemplo, seções encerradas “até as 17h” com vantagem pequena e seções encerradas “às 19h” com vantagem muito maior).
Dados: boletins de urna (BU) do TSE, 1º e 2º turnos, painel pareado por seção. Três especificações, em ordem crescente de controle:
diferença bruta entre faixas de horário; diferença dentro do município (efeito fixo); e variação entre turnos (2º − 1º), que é a quantidade que um
efeito específico do 2º turno precisaria alterar.
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Como ler os números
- Vantagem = (votos de A − votos de B) / (votos de A + votos de B), em pontos percentuais. “+10” quer dizer que A teve 55% e B 45% dos votos entre os dois.
- Bruta: diferença de médias ponderadas entre faixas de horário, sem ajuste. Incorpora efeitos de composição (região, tamanho da seção, perfil urbano, fila).
- Dentro do município: regressão ponderada com efeito fixo de município; a identificação vem apenas da variação entre seções do mesmo município, o que remove diferenças regionais e de porte do município.
- Variação entre turnos: vantagem no 2º turno menos a do 1º, por seção (lógica de diferença-em-diferenças, com o 1º turno como placebo). Um efeito específico do 2º turno nas seções de fechamento tardio apareceria aqui; se a diferença já existia no 1º turno, a variação tende a zero.
- Controles (última linha do gráfico): além do efeito fixo de município, .
- Intervalos de 95% com erro-padrão agrupado por município (por zona ou seção quando há menos de 30 municípios). Em recortes pequenos o intervalo é aproximado.
Fuso horário: como os horários foram tratados
No boletim, o fechamento é o relógio local da urna, e a chegada é o horário de Brasília. Para comparabilidade, o fechamento foi convertido para Brasília (AC +2 h; AM, MT, MS, RO e RR +1 h; municípios do sudoeste do AM, no horário do Acre, +2 h). Conferência: em todos os estados, o 1º percentil do fechamento deve cair perto de 17h00 e quase nenhuma seção pode ter fechado antes das 17h.
O que este teste não faz
- Inferência ecológica. A unidade de análise é a seção; associações no nível da seção não identificam comportamento individual.
- Prorrogação até 19h no 2º turno. A decisão judicial que estendeu a votação até as 19h saiu por volta das 17h02 e valeu apenas para as seções que ainda estavam abertas; a maioria dos mesários não foi comunicada e encerrou às 17h. Por isso, no 2º turno o fechamento tardio mede em parte quem ficou sabendo da prorrogação (e permaneceu aberta até o limite, mesmo sem fila), e não apenas fila. A curva do 2º turno tem queda abrupta perto de 17h10 e um “degrau” em 19h; a do 1º turno decai de forma gradual. As faixas tardias dos dois turnos, portanto, não são plenamente comparáveis em significado. A variação entre turnos continua sendo um teste válido de salto diferencial, mas a interpretação das faixas tardias do 2º turno deve levar isso em conta.
- Associação, não causalidade. No 1º turno, o horário de fechamento é resultado sobretudo de fila e comparecimento; funciona como marcador do tipo de seção (porte, comparecimento, região), não como determinante do voto.
- Escopo. O teste verifica um padrão específico (variação diferencial entre turnos nas seções de fechamento tardio). Não substitui auditoria ou perícia dos boletins, e a ausência de efeito médio não exclui ocorrências pontuais.
- Dados faltantes. Seções sem horário registrado são excluídas desta página (–).